Na última semana, um grupo de pesquisadores iniciou um novo trabalho no Geossítio Linha São Luiz, em Faxinal do Soturno. Desta vez, a equipe conta com o apoio de uma máquina para a perfuração do solo, em busca de amostras que irão auxiliar em diversas descobertas.
De acordo com o paleontólogo do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA), Flávio Pretto, será realizada a perfuração para a coleta de amostras até 120 metros de profundidade, buscando maior precisão sobre as camadas do período Triássico, para conhecer a história geológica da região.
“Como aqui em Faxinal do Soturno temos um dos pontos mais jovens do Triássico no Brasil, a ideia é que a gente consiga ter toda essa sequência das camadas. Na medida em que formos perfurando as camadas mais profundas, estaremos ao mesmo tempo acessando rochas mais antigas. Entre as principais descobertas, buscamos entender quando aconteceram as mudanças do campo magnético do passado, que podem ficar registradas nas rochas. Vamos identificar a orientação do norte de cada centímetro dessas amostras, traçando cada reversão do campo magnético, o que vai permitir que tenhamos uma idade mais precisa”, explicou Pretto.
O pesquisador também afirma que a continuidade desse trabalho vai permitir uma datação mais exata de outras localidades na Quarta Colônia, o que vai complementar as informações sobre as descobertas feitas na região, que tem os fósseis de dinossauros mais antigos do mundo. Com o avanço do projeto de pesquisa, será possível refinar as idades desses achados.
As análises também permitirão a descoberta de outros dados, com informações sobre a separação dos continentes, a idade em que esses movimentos ocorreram, e como era o ambiente de nossa região ao longo dos milhões de anos de história registrados nas rochas.
Paralelo a este trabalho, os paleontólogos do CAPPA acompanham a equipe em busca de mais fósseis.
As pesquisas no Geossítio São Luiz seguem ao longo das próximas semanas, com a presença de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Observatório Nacional do Rio de Janeiro. A equipe ainda inclui os pesquisadores Gabriel Alano Boeira (CAPPA/UFSM), Cesar Leandro Schultz (UFRGS), Jairo Francisco Savian (UFRGS), Caroline Pontel (UFRGS), Henrique Telmo (UFRGS) e Jhon Willy Lopes Afonso (Observatório Nacional – ON).
Fotos: Jhon Willy Lopes Afonso e Flávio Pretto.




